Do Caos à prosperidade: os 70 anos da República Popular da China

2019-05-22 09:17:52丨portuguese.xinhuanet.com

Por Luiz Tasso Neto

Beijing, 22 mai (Xinhua) -- O ano de 2019 é muito especial para a China em diversos sentidos. É um período decisivo para as chamadas "três batalhas duras" contra a pobreza, a poluição e os principais riscos, e também para a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, que tem como prazo o ano de 2020. Mas, além das questões práticas, existe também um simbolismo em torno de 2019. É que no dia primeiro de outubro a República Popular da China (RPC) completa 70 anos de sua fundação, em 1949.

Quem olha para a China nos dias de hoje, com sua posição consolidada como a segunda maior economia mundial e um grande motor para o crescimento global, como uma potência socialista e um influente membro da comunidade internacional em todos os assuntos, pode não enxergar as dificuldades pelas quais o país passou até há menos de um século.

O doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, em Hangzhou, José Medeiros da Silva, avalia que a proclamação da República Popular da China foi a materialização de uma estratégia revolucionária vitoriosa que permitiu a reconstrução de uma unidade política interna e a restauração de um Estado soberano. Ele lembra que, com a decadência da última dinastia, a Qing (1640-1911), as nações estrangeiras foram aumentando o seu controle sobre a China e a divisão interna foi se acentuando, questões que não foram resolvidas com a substituição da dinastia pela República no início de 1912. Ao contrário, houve um agravamento ainda maior, com mais invasões do território e uma dura guerra civil.

"O anúncio da República Popular da China em 1949 é o desfecho desse longo processo histórico e o início de um novo período de governabilidade nacional, base essencial para reestruturação do país e das mínimas condições de vida do povo, completamente devastadas por um longo período de caos político e social."

O doutor em direito pela Universidade Renmin da China e especialista em Teoria do Socialismo com Características Chinesas, Gaio Doria, tem a mesma linha de raciocínio. "Antes da fundação da RPC, a China estava mergulhada no caos, o país estava completamente desorganizado. A intensa disputa política interna corroeu a estabilidade institucional e a economia. A invasão japonesa agravou esse quadro e espalhou miséria e desgraça entre o povo chinês. Assim, a fundação da RPC, do ponto de vista histórico, representa uma ruptura drástica com esse passado."

Para José Medeiros, esta transformação política e social foi um passo decisivo, pois proporcionou as bases mínimas para que o povo reorganizasse a sua vida e pudesse canalizar sua energia para a edificação da nação, incluindo a dimensão econômica.

E nesta reconstrução o chamado Socialismo com Características Chinesas tem uma importância destacada. "O estado socialista chinês é o motor do sucesso chinês. Somente olhando seu desenvolvimento histórico é que podemos entender como um país que era atrasado e pobre alcançou em 70 anos a posição de segunda maior economia do mundo", aponta Gaio Doria.

Desde a fundação da República Popular da China, mas especialmente a partir da aplicação da política de reforma e abertura, em 1978, o país experimentou um desenvolvimento meteórico. O Produto Interno Bruto passou de US$ 147,3 bilhões, há 40 anos, para US$ 13,3 trilhões em 2018, de acordo com dados do Departamento Nacional de Estatísticas. No mesmo período, o país retirou cerca de 740 milhões de pessoas da pobreza, reduzindo em mais de 94% a população que vive nesta situação.

Neste processo, um elemento é fundamental: o Partido Comunista da China (PCC). Para Doria, é ele quem garante o desenvolvimento pleno do país. "Toda a sociedade precisa de organização para prosperar. Foi esta agremiação política, com base no Marxismo, a única capaz de pôr fim ao caos que se instaurara na China, de criar um consenso para organizar e dar coesão à sociedade chinesa de modo que ela possa tirar proveito de suas riquezas e habilidades para seguir adiante. Sem esta força organizacional, seria impossível garantir o crescimento da China de modo sustentável e no longo prazo."

José Medeiros também dá créditos ao PCC pelos grandes avanços do país conduzidos por sua habilidade de entender o ambiente em que está inserido de acordo com o momento. "A meu ver, sua maior virtude tem sido sua capacidade de fazer uma leitura adequada da realidade histórica e social na qual tem estado imerso, assim como do ambiente histórico internacional que o tem circundado. Até o presente momento, isso o tem permitido se posicionar ou se reposicionar de forma adequada para enfrentar as grandes demandas que vão surgindo ao longo do processo histórico."

Gaio Doria enxerga outro ponto importante em relação à liderança do Partido ao longo de todos estes anos. "A maior virtude do PCC é nunca esquecer que é um Partido do povo, das massas, dos trabalhadores. É aos interesses da esmagadora maioria da sociedade que ele deve servir. Assim, todo o sucesso chinês - com seus êxitos e falhas - é um processo histórico que visa construir uma sociedade mais justa e inclusiva."

"Aqui na China tem uma canção popular conhecida por quase todos e que diz assim em um dos seus versos: 'Meiyou Gongchandang jiu meiyou Xin Zhongguo'. Ou seja, 'se não existisse o Partido Comunista então não teríamos a Nova China'. Essa canção composta ainda em 1943 sintetiza de forma apropriada o papel do Partido dirigente na condução desta nova China", completa José Medeiros.

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