
Participantes conversam no Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, Suíça, em 20 de janeiro de 2025. (Xinhua/Lian Yi)
A China não está apenas consolidando seus pontos fortes em setores tradicionais, mas também se expandindo ativamente para novas áreas, impulsionada pelo aumento do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, de acordo com Borge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial.
Por Jiao Qian
Genebra, 19 jan (Xinhua) -- O crescimento econômico da China deverá ultrapassar 5% este ano, demonstrando forte resiliência em meio às adversidades globais e continuando a "contribuir significativamente para o crescimento global", disse Borge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial (FEM).
Em entrevista à Xinhua, antes da reunião anual do FEM 2026, Brende disse que a China não está apenas consolidando seus pontos fortes em setores tradicionais, mas também se expandindo ativamente para novas áreas, impulsionada pelo aumento do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Brende expressou confiança nas perspectivas econômicas da China, observando que, se o país continuar avançando com as reformas econômicas e mantendo o investimento em inovação e empreendedorismo, verá crescimento e prosperidade contínuos.
"A China já se direcionou para a quinta revolução industrial, que representa uma grande mudança de paradigma", disse Brende. "As tecnologias oferecem enormes oportunidades para ganhos de produtividade e crescimento nos próximos anos, e a China é uma das principais contribuintes para isso".

Pessoas tiram fotos no estande da BYD na Automechanika em Frankfurt, Alemanha, em 11 de setembro de 2024. (Xinhua/Zhang Fan)
Brende destacou a liderança global da China na fabricação de turbinas eólicas e equipamentos solares, além de seu papel significativo na produção de veículos elétricos (EVs), com a BYD e outras marcas chinesas de EVs ganhando reconhecimento mundial.
De uma perspectiva global, Brende disse que, apesar das complexidades geopolíticas e dos impactos das tarifas, a economia global tem se mostrado "surpreendentemente resiliente". Embora o comércio continue sendo um motor essencial para o crescimento, novas tecnologias, como a inteligência artificial, estão atraindo investimentos substanciais e ajudando a impulsionar o crescimento global.
"Estamos muito preocupados com grandes escaladas de guerras. Isso pode acabar com o crescimento global", alertou Brende, acrescentando que, se essas escaladas puderem ser evitadas, o crescimento econômico global poderá ultrapassar 3% em 2026.
Brende disse que o relatório Barômetro da Cooperação Global, divulgado recentemente pelo FEM, indica que, embora o multilateralismo continue enfrentando fortes obstáculos, a cooperação global está evoluindo para mecanismos mais flexíveis e de menor escala, à medida que as abordagens tradicionais enfraquecem.
Ele reafirmou o importante papel da China na defesa do multilateralismo. Também enfatizou que as instituições internacionais existentes, como as Nações Unidas, continuam sendo essenciais para enfrentar desafios globais, como pandemias e crimes cibernéticos, e têm contribuído significativamente para a prosperidade global desde a Segunda Guerra Mundial.
A Reunião Anual do FEM 2026 será realizada de 19 a 23 de janeiro em Davos, na Suíça, com o tema "Um Espírito de Diálogo". Quase 3.000 participantes de mais de 130 países participarão de discussões sobre o fortalecimento da cooperação, a busca por novas fontes de crescimento e o investimento nas pessoas.
Brende enfatizou que, em um mundo cada vez mais fragmentado e competitivo, o diálogo continua sendo fundamental para o progresso mundial.
"O diálogo não é um luxo, é uma necessidade", disse ele.


