Santiago, 4 jan (Xinhua) -- A incerteza econômica levou os países do Sul Global a buscar novas oportunidades de cooperação e diversificação do comércio para lidar com a volatilidade da economia internacional e as tensões geopolíticas, disse o especialista chileno Andrés Angulo.
"Os países, especialmente os que conhecemos como Sul Global, vão ter que mudar, modificar ou alterar suas perspectivas ou suas políticas econômicas internacionais em relação a como vem ou como percebem o crescimento internacional", afirmou o acadêmico da Universidade Academia de Humanismo Cristão do Chile.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou um crescimento econômico global moderado, com estimativas em torno de 3,2% para 2025, mantendo-se resiliente, porém sujeito a riscos de baixa devido à incerteza política, à trajetória da inflação e a sinais de protecionismo.
Por sua vez, a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) disse recentemente que a política tarifária dos Estados Unidos impactou neste ano os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para a América Latina e o Caribe, especialmente em setores com forte orientação exportadora para o mercado norte-americano.
"A questão tarifária, ainda que tenha gerado incertezas, também provoca riscos para a economia internacional. (...) Essa incerteza pode reformular o modelo econômico internacional até certo ponto -- não com mudanças grandes ou bruscas, mas com relação à governança", assinalou o especialista em relações internacionais.
Segundo ele, uma das regiões que têm experimentado essa inquietação é o Sul Global, cujos países têm avaliado ações como fortalecer o multilateralismo e explorar novos mercados para cooperação.
"Os países do Sul Global podem buscar outros tipos de alternativas, por exemplo, modelos multipolares como a associação dos BRICS, fortalecer eventualmente o Mercosul, e outras estratégias de negociação, como relacionar-se com mercados mais amplos, como a ASEAN", declarou Angulo.
Segundo Angulo, há países que atuam de maneira unilateral para satisfazer suas demandas e interesses particulares, desestabilizando o fluxo do comércio internacional, além de desencadear conflitos internacionais.
Nessa incipiente reconfiguração do modelo econômico global, Angulo assegurou que a China desempenha um papel preponderante, com uma nova visão da relação com a América Latina e o Caribe, principalmente em temas de cooperação em indústrias como energias renováveis, minerais críticos e novas tecnologias.
"Se olharmos para os Estados Unidos, por exemplo, em energias verdes: os Estados Unidos estão em condições de negociar energias verdes com os países do Sul ou com a América Latina? Não muito, à exceção da Tesla. No caso da Europa, digamos que estão quase no mesmo nível. Mas o mercado asiático, particularmente a China, está muito mais desenvolvido", indicou o especialista.
Ele citou como exemplo o caso chileno, que possui uma das maiores frotas de ônibus elétricos do mundo, com planos de superar 4 mil unidades até 2026, com a chegada constante de novos veículos para incorporação à rede de transporte público.
"Os países do Sul Global têm novas oportunidades em investimentos na fabricação de baterias, implementação de tecnologias da informação, produção de chips, etc. O mercado asiático é talvez o que oferece mais oportunidades. Isso pode desencadear, a partir do próximo ano, uma concorrência mais acirrada", destacou Angulo.
Em conclusão, ele destacou que atualmente as economias da região estão cada vez mais diversificadas e não dependem de mercados únicos. Esse trabalho tem sido fortalecido por meio de acordos comerciais, convênios e alianças em investimentos, entre outros, o que lhes permitiu expandir-se para outros continentes, como Europa e Ásia, ao mesmo tempo em que buscam fortalecer o comércio intrarregional.

