Pesquisadores brasileiros desenvolvem sistema para identificar COVID-19 a partir da tosse

2020-07-04 12:10:04丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 3 jul (Xinhua) -- Pesquisadores brasileiros da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveram um sistema - SoundCov - que consegue identificar o novo coronavírus na tosse das pessoas.

Seca ou com catarro, a tosse é uma resposta do aparelho respiratório a uma irritação e é sintoma de várias doenças. A expulsão brusca do ar dos pulmões produz sons diferentes, dependendo da doença, e que são praticamente impossíveis de diferenciar para os ouvidos humanos.

"Cada doença tem um padrão específico de acometimento e quando você tosse, isso gera uma onda sonora diferenciada. Não é algo fácil reconhecer essas diferenças, mas a tecnologia pode ajudar a diferenciar, por exemplo, a tosse de um paciente com COVID-19, da de um paciente com tuberculose, com asma, e de um paciente que não tenha nenhum tipo de doença pulmonar", destaca Júlio Croda, médico infectologista da Fiocruz.

Pesquisadores da Fiocruz começaram a coletar registros de tosse em todo o país. A intenção é reunir pelo menos 900 amostras, 300 de pacientes com COVID-19, 300 de indivíduos saudáveis e 300 de pessoas com outras doenças pulmonares. Qualquer pessoa com mais de 18 anos pode participar da pesquisa, basta gravar com o celular ou computador o áudio da tosse e enviar pela internet.

Além da Fiocruz, participam da pesquisa o Instituto Butantan, destacado centro de pesquisa biológica brasileiro e a gigante de tecnologia Intel, que vai fornecer a ferramenta de inteligência artificial para identificar os diferentes padrões de tosse.

A Fiocruz espera que o aplicativo possa estar disponível brevemente para ajudar no diagnóstico da COVID-19.

"Nosso objetivo, com o apoio de todos, é que em 30 dias possamos disponibilizar essa ferramenta para todas as secretarias estaduais, para o governo federal e para os municípios que desejarem utilizar essa ferramenta nos seus aplicativos. E isso pode auxiliar o paciente no sentido de reforçar o seu isolamento domiciliar ou buscar o atendimento para o seu diagnóstico laboratorial", destacou Croda.

Uma das voluntárias do projeto, Patrícia, explicou que teve a COVID-19 e que nunca imaginou que a tosse poderia servir para a ciência e a medicina.

"Para mim foi uma tosse comum, uma tosse seca comum, como a de outras doenças. Não imaginava que pudesse ocorrer uma tosse diferente e que isso poderia contribuir ainda para o diagnóstico do coronavírus. Acredito que é uma pesquisa muito importante para o diagnóstico da COVID-19", ressaltou.

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