Rio de Janeiro, 3 fev (Xinhua) -- O Banco Central do Brasil informou nesta terça-feira que começará a reduzir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março.
A informação consta da ata da reunião do Copom da semana passada, publicada nesta terça-feira, mas a autoridade monetária não detalhou a magnitude do corte e esclareceu que as taxas de juros permanecerão em patamares restritivos.
Segundo a ata, em um ambiente de inflação mais baixa e com transmissão mais evidente da política monetária, a estratégia envolve calibrar o nível das taxas de juros.
"O Comitê prevê, caso o cenário esperado se confirme, iniciar o afrouxamento da política monetária em sua próxima reunião; contudo, reitera que manterá o nível adequado de restrição para assegurar a convergência da inflação à meta", acrescenta o texto.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual acima ou abaixo. Para este ano, a estimativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - o indicador oficial de inflação do país - é de 3,99%, dentro da meta.
A Selic, principal instrumento do Banco Central para alcançar a meta de inflação, encontra-se no patamar mais alto desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.
Segundo a última pesquisa Focus, o mercado financeiro projeta que a taxa Selic recue para 14,5% ao ano em março e alcance 12,25% ao final de 2026.
"O cenário atual, caracterizado por alta incerteza, demanda cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso se mostrou adequada para garantir a convergência da inflação para a meta", destaca o documento.
O Banco Central também observou que a atividade econômica doméstica manteve uma trajetória de crescimento moderado, operando acima de seu potencial expansionista sem pressionar a inflação.
Para a autoridade monetária brasileira, o ambiente externo destacou a persistência de incertezas devido à situação econômica e às políticas dos Estados Unidos, com impactos nas condições financeiras globais.
"Tal cenário exige cautela dos países emergentes em um ambiente marcado por tensões geopolíticas", aponta a ata. No âmbito doméstico, o Copom afirmou que a saúde das finanças públicas é fator determinante para o sucesso do controle da inflação. Segundo o Banco Central, a política fiscal não apenas estimula a demanda de curto prazo, mas também molda a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida brasileira.
O Comitê enfatizou que uma política fiscal anticíclica é essencial para reduzir o "prêmio de risco". Quando o mercado percebe incerteza quanto ao pagamento da dívida pública, exige taxas de juros mais altas para emprestar dinheiro ao país.

