
Músicos se apresentam em um concerto para o Ano Novo Lunar no Centro Kimmel para as Artes Cênicas, na Filadélfia, Estados Unidos, em 28 de janeiro de 2026. (Xinhua/Zhang Fengguo)
Por Yang Shilong e Li Xirui
Filadélfia, Estados Unidos, 1º fev (Xinhua) -- O envolvimento da Orquestra da Filadélfia com a China evoluiu ao longo de mais de cinco décadas para o que seu presidente descreve como uma relação bilateral sustentada, centrada em apresentações, educação e intercâmbio profissional de longo prazo.
Ryan Fleur, presidente e diretor-executivo da Orquestra da Filadélfia, disse que a ligação da orquestra com a China, que começou em 1973, quando se tornou a primeira orquestra americana a visitar o país, continua moldando a forma como a instituição aborda o intercâmbio cultural atualmente.
Fleur está envolvido nos programas da orquestra na China desde 2012 e já viajou para o país 18 vezes, principalmente para atividades de intercâmbio. Ele disse que a orquestra mantém parcerias de longa data com músicos e instituições chinesas, algumas datando de sua primeira visita, há mais de 50 anos.
"Mantemos o diálogo aberto", disse Fleur à Xinhua em entrevista recente. "Independentemente do contexto geral, constatamos que aprendemos tanto quanto compartilhamos".
RELACIONAMENTO CONSTRUÍDO AO LONGO DE DÉCADAS
A visita inicial da orquestra em 1973, que ocorreu antes do estabelecimento das relações diplomáticas formais entre a China e os Estados Unidos, é amplamente considerada um marco no intercâmbio cultural.
Desde então, o conjunto retornou à China mais de uma dúzia de vezes com uma orquestra completa, além de visitas de grupos menores. Também recebeu músicos, estudantes e artistas convidados chineses nos Estados Unidos.
Fleur disse que, embora a China e o ambiente global tenham mudado significativamente nas últimas cinco décadas, a natureza fundamental do intercâmbio cultural continuou constante.
"Em certo nível, o trabalho em si não mudou", disse ele. "Trata-se de estar presente, ter desempenho de alto nível, compartilhar o que fazemos e receber em troca".
Fleur disse que um dos desenvolvimentos mais notáveis durante seus anos de viagens à China foi a melhoria na qualidade geral das apresentações orquestrais.

A musicista chinesa, Yu Hongmei, se apresenta em um concerto para o Ano Novo Lunar no Centro Kimmel para as Artes Cênicas, na Filadélfia, Estados Unidos, em 28 de janeiro de 2026. (Xinhua/Zhang Fengguo)
"Os músicos chineses sempre tiveram habilidades técnicas muito fortes", disse ele. "O que melhorou muito ao longo dos anos foi a execução em conjunto, a maneira como os músicos se ouvem e trabalham juntos. O nível atual é muito alto".
Ele também apontou para a crescente presença de um público mais jovem como um sinal da contínua vitalidade do intercâmbio musical.
"Onde quer que nos apresentemos, o público tende a ser mais jovem", disse Fleur. Muitos estudantes chineses recebem ampla formação musical, principalmente em piano e instrumentos de corda, o que contribui para um amplo interesse pela música clássica, acrescentou ele.
EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA FUNDAMENTAL
Segundo Fleur, a educação tem sido fundamental para o engajamento internacional da orquestra. Além dos concertos formais, os programas de intercâmbio frequentemente incluem masterclasses, oficinas, ensaios conjuntos e apresentações menores, concebidas para alcançar estudantes e comunidades locais.
"Quando viajamos, não se trata apenas do concerto", disse ele. "Pode ser dar uma aula, ministrar uma masterclass, trabalhar diretamente com jovens músicos ou nos apresentar em um ambiente que se conecte com a cultura local".
Nos últimos anos, a orquestra expandiu suas atividades para além de grandes metrópoles como Beijing e Shanghai, incluindo cidades como Chengdu, Haikou e Hangzhou.
O intercâmbio da orquestra com a China também se reflete em seus programas nos Estados Unidos. Ela começou a apresentar concertos de Ano Novo Lunar em 2019 e continua a série anualmente desde que as apresentações presenciais foram retomadas após a pandemia de COVID-19.
Em seu concerto de Ano Novo Lunar mais recente, na Filadélfia, a orquestra colaborou com músicos do Conservatório Central de Música da China para apresentar um programa que combinou repertório chinês e ocidental.

Mascote de cavalo é visto em um balcão de check-in nos eventos de promoção turística "Ni Hao! China" ("Olá! China", em tradução livre) no Centro Kimmel para as Artes Cênicas, na Filadélfia, Estados Unidos, em 28 de janeiro de 2026. (Xinhua/Zhang Fengguo)
Fleur disse que esses concertos aumentam o envolvimento da comunidade local com a cultura global e refletem a crença da orquestra de que o intercâmbio cultural deve ser recíproco.
Em resposta a uma carta da Orquestra da Filadélfia em 2023, o presidente chinês Xi Jinping disse esperar que a orquestra e os artistas da China, dos Estados Unidos e de todo o mundo continuem os esforços para fortalecer os laços interpessoais entre a China e os Estados Unidos e disseminar a amizade entre os povos do mundo.
Fleur descreveu a mensagem como um reconhecimento do compromisso de longa data da orquestra com o intercâmbio interpessoal por meio da música.
Olhando para o futuro, Fleur disse que a orquestra espera expandir o alcance de seus programas na China e receber mais grupos e artistas chineses para se apresentarem nos Estados Unidos, particularmente na Filadélfia.
"O intercâmbio funciona melhor quando é contínuo e quando ocorre em ambas as direções", disse ele.






