
Foto tirada em 14 de fevereiro de 2025 mostra vista externa do novo museu de porcelana do Palácio Topkapi em Istambul, Turquia. (Xinhua/Liu Lei)
Istambul, 19 jan (Xinhua) -- Escondida atrás dos muros do palácio, a Passagem do Mabeyn do Palácio Topkapi de Istambul já serviu como um corredor isolado usado pelos sultões otomanos.
Séculos depois, agora suas paredes revelam a vibrante arte dos azulejos otomanos, oferecendo ao público um raro vislumbre pela primeira vez, como parte de um esforço mais amplo para preservar e sustentar o artesanato tradicional em cerâmica.
Após trabalhos de restauração, o Mabeyn foi recentemente reaberto como uma galeria de arte, exibindo 260 peças originais de azulejos com quase 800 padrões distintos, muitos dos quais foram usados como painéis de parede e elementos decorativos em diferentes seções do palácio.
Ilhan Kocaman, chefe do Departamento do Palácio Topkapi da Diretoria de Palácios Nacionais, disse que o Mabeyn foi escolhido como espaço para galeria devido ao seu significado simbólico e histórico. "A Passagem do Mabeyn marcou o momento em que o sultão deixou o mundo privado do harém e entrou na vida pública como governante", disse ele à Xinhua.
Kocaman observou que a passagem corre ao lado da área que abriga relíquias do Profeta Maomé, o que contribuiu para seu status especial no palácio.
Segundo Kocaman, espera-se que a galeria oriente pesquisadores, artistas e visitantes sobre o desenvolvimento da produção de azulejos otomanos do século 16 ao 19.

Foto tirada em 14 de fevereiro de 2025 mostra porcelanas chinesas no novo museu de porcelana do Palácio Topkapi, em Istambul, Turquia. (Xinhua/Liu Lei)
A galeria destaca a intrincada arte em azulejos do palácio, que Kocaman descreveu como o elemento decorativo mais importante do Palácio Topkapi.
Ele explicou que a "cini", arte tradicional otomana em azulejos e cerâmica esmaltada, inspirou-se inicialmente em porcelanas chinesas importadas no século 15, evoluindo para uma forma de arte local distinta, com produção centrada em Iznik antes de se espalhar para Kutahya e Istambul.
Inspirando-se na China e em outras partes da Ásia, disse Kocaman, os fabricantes de azulejos otomanos desenvolveram gradualmente sua própria linguagem visual, incorporando temas distintos, como a tulipa, que mais tarde virou uma marca registrada da tradição decorativa de Istambul.
Kocaman também destacou a característica paleta de cores otomana, marcada pelo vermelho turco e azul índigo, combinada com desenhos em azul e branco influenciados pelos artesãos de cerâmica da China e adaptados a uma estética distintamente otomana. Alp Aksudogan, guia turístico profissional com mais de três décadas de experiência, disse que a galeria desempenha um papel singular ao apresentar a história do palácio em contexto. "Topkapi não é apenas um museu, mas também um espaço que reflete séculos da vida na corte otomana", disse ele à Xinhua.
Segundo Aksudogan, a galeria de azulejos foi concebida para preservar a unidade e a atmosfera do Harém, ao mesmo tempo que exibe exemplos importantes da arte cerâmica otomana, permitindo que os visitantes vivenciem o palácio como um espaço histórico vivo, e não como uma exposição isolada.
A coleção de azulejos da galeria complementa a renomada coleção de porcelana chinesa do Palácio Topkapi, que será exibida em um museu dedicado dentro do complexo do palácio.

Turistas visitam o Museu do Palácio Topkapi em Istambul, Turquia, em 23 de outubro de 2024. (Xinhua/Liu Lei)
A posse e a exibição de porcelana chinesa "há muito simbolizam prestígio e poder para a dinastia otomana", disse Aksudogan. "Vistos em conjunto, os azulejos e as porcelanas ilustram o gosto artístico da dinastia, sua força econômica e suas conexões com o mundo exterior".
Além da preservação, espera-se que a galeria também sirva como ponto de referência educacional para artistas de azulejos, estudantes e profissionais de oficinas, oferecendo contato direto com obras originais que continuam moldando a prática cerâmica contemporânea.
O artista de azulejos Metin Orenel, radicado em Istambul, disse que a galeria oferece acesso raro a obras originais, essenciais para o desenvolvimento profissional.
"Ver esses azulejos em sua forma original nos ajuda a entender a técnica, a proporção e a cor de uma maneira que os livros não conseguem", disse ele à Xinhua. "Isso fornece uma base para aprimorarmos nosso trabalho, mantendo-nos conectados à tradição".


