Beijing, 14 jan (Xinhua) -- Com o início de 2026, a economia global se tornou cada vez mais moldada por ajustes estruturais, e as relações entre a China e a América Latina oferecem um exemplo revelador sobre como as economias do Sul Global navegam num mundo de desafios, e assim construindo um futuro compartilhado, disse Alessandro Golombiewski Teixeira, professor visitante distinto da Universidade Tsinghua e professor visitante da Universidade Chinesa de Hong Kong (Shenzhen), num artigo publicado recentemente no jornal China Daily.
Segundo Teixeira, a escalada das guerras comerciais, a armamentização das finanças internacionais e o aumento do uso de sanções, controles financeiros e acesso aos mercados de capitais como instrumentos de concorrência estratégica elevaram a volatilidade e a incerteza para as economias emergentes e em desenvolvimento, o que limita as perspectivas de desenvolvimento do Sul Global.
Neste contexto, as relações entre a China e a América Latina oferecem um exemplo revelador sobre como as economias do Sul Global navegam por meio de um crescimento mais lento, rivalidade estratégica e padrões de globalização em mudança, observou Teixeira, também ex-ministro do Turismo do Brasil.
Na sua opinião, a China entra em 2026 em meio a esforços para alcançar a modernização ao estilo chinês, com políticas firmemente orientadas para um desenvolvimento de alta qualidade. Internamente, o crescimento é cada vez mais impulsionado pela inovação, indústrias emergentes estratégicas e integração dos setores digitais e tradicionais, enquanto a manufatura está sendo atualizada para cadeias de valor mais altas.
Externamente, o país está aprofundando seu envolvimento com o Sul Global, promovendo uma abertura de alto padrão, melhorando a conectividade e fomentando parcerias que apoiam o desenvolvimento comum e a prosperidade a longo prazo de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.
Hoje, a América Latina enfrenta perspectivas de crescimento modestas, limitadas por persistentes lacunas de produtividade, déficits de infraestrutura e pressões fiscais. No entanto, espera-se que a cooperação com a China continue sendo robusta e cada vez mais seletiva, afirmou Teixeira.
O comércio e o investimento permanecem em setores-chave, com as commodities -- incluindo produtos agrícolas, minerais e energia -- ficando no núcleo, mas a diversificação está surgindo em novas indústrias, como alimentos processados, tecnologia agrícola, manufatura selecionada e serviços.
A América Latina passou a ser uma fornecedora vital de matérias-primas e recursos que sustentam os setores de produção industrial e manufatura da China, enfatizou Teixeira.
Cerca de 77% das exportações de cobre do Chile foram para a China, enquanto o lítio argentino e boliviano -- essencial para a produção de baterias -- representa uma parcela crescente do suprimento global do "triângulo do lítio", que detém cerca de 40% das reservas globais, informou Teixeira, acrescentando que as exportações de soja do Brasil para a China subiram para US$ 50 bilhões em 2025, respondendo por mais de 70% de suas remessas totais de soja.
Segundo ele, o investimento estrangeiro direto chinês mudou de megaprojetos para empreendimentos direcionados. Os investimentos chineses apoiam projetos de energia renovável, desenvolvimento de infraestrutura e produção local de veículos elétricos, tanto para o consumo interno quanto para os mercados de exportação
Teixeira ressaltou que o envolvimento da China oferece à América Latina oportunidades para garantir investimentos de longo prazo, cooperação tecnológica e acesso ao mercado. A estabilidade política, a consistência regulatória e políticas internas estáveis melhorarão a eficácia dessa cooperação, permitindo investimentos mutuamente benéficos, expansão comercial e crescimento sustentável, acrescentou.
Olhando para o futuro, a relação China-América Latina em 2026 oferece uma plataforma para a transformação. Um envolvimento pragmático e estrategicamente focado pode ajudar a região a diversificar as economias, fortalecer as cadeias de valor e aumentar a produtividade, explicou Teixeira.

