
Foto tirada em 19 de outubro de 2025 mostra o navio "Ponte Istambul", o primeiro da rota expressa de contêineres do Ártico China-Europa, atracando no Porto de Gdansk, na Polônia. (Xinhua/Cui Li)
Cooperação, inovação e modelos de negócios compartilhados definirão a próxima fase das relações econômicas entre o Reino Unido e a China, disse Stephen Perry, reiterando que a abordagem da China se baseia na construção de acesso e conexões, em vez de fechar mercados.
Londres, 30 dez (Xinhua) -- A abordagem da China à globalização consiste em construir redes e expandir o acesso a mercados, em vez de erguer barreiras, um método que é "mais importante na globalização do que quase qualquer outro fator", disse em entrevista à Xinhua, Stephen Perry, presidente emérito do Grupo 48, do Reino Unido.
A globalização é "uma característica natural do desenvolvimento das economias mundiais", e não uma invenção política deliberada, disse Perry, observando que muitas regiões da África, da Ásia e da América do Sul foram historicamente moldadas por sistemas de transporte coloniais projetados para mover recursos de áreas do interior para portos, sem incentivar conexões entre os países.
Em contraste, a China "ajudou esses três continentes a desenvolver sistemas de transporte que permitiram que eles fizessem negócios entre si", disse Perry.
No início da política de "globalização" da China, explicou Perry, a maior parte do comércio chinês estava concentrada na América do Norte e na Europa. Isso mudou, no entanto, à medida que a China expandiu seu comércio com a Ásia, a África e países do Sul Global.
Perry disse que a Iniciativa Cinturão e Rota "abriu imediatamente um enorme volume de comércio entre a China e a Europa", acrescentando que os corredores ferroviários e rodoviários da China criaram rotas comerciais que antes eram consideradas impossíveis.
Ele descreveu a China como "líder da globalização", observando que essas rotas não se limitam a empresas chinesas, mas são acessíveis à comunidade internacional em geral.
Perry disse que a China não busca expansão por meio da força militar, observando que o país "não está apontando mísseis para o mundo todo". Em vez disso, adota uma política voltada para o desenvolvimento global, "e com esse processo, a China também crescerá".
Sobre inovação, Perry disse que a China continuará inovando "em todas as áreas pelos próximos 500 anos", acrescentando que a China reestruturou seu sistema educacional para se preparar para as futuras necessidades tecnológicas, com uma parcela significativa da educação universitária chinesa voltada para "novas tecnologias e a nova era".
Disputas sobre veículos elétricos e outras tecnologias avançadas poderiam ser amenizadas por meio de joint ventures e propriedade compartilhada entre empresas chinesas e europeias, disse Perry.
As empresas europeias precisam repensar seus modelos de negócios, acrescentou ele, alertando que as tentativas de dominar os mercados da Ásia ou da África "levariam à resistência".
Ele disse que o Grupo 48 está agora se concentrando em tecnologia, robótica e inteligência artificial, trabalhando para introduzir novas empresas britânicas no mercado chinês, ao mesmo tempo que incentiva empresas chinesas a operarem no Reino Unido.
Perry disse que tarifas e barreiras comerciais desencorajam o investimento a longo prazo e interrompem as cadeias de suprimentos, chamando-as de "barreiras ao progresso".
Ele acrescentou que as gerações mais jovens geralmente estão mais interessadas em viajar, trabalhar e se engajar globalmente do que em "criar barreiras".
Cooperação, inovação e modelos de negócios compartilhados definirão a próxima fase das relações econômicas entre o Reino Unido e a China, disse Perry, reiterando que a abordagem da China se baseia na construção de acesso e conexões, em vez de fechar mercados.

