Beijing, 2 jan (Xinhua) -- A China está disposta a trabalhar com a União Europeia (UE) na questão das mudanças climáticas globais, mas adotará firmemente todas as medidas necessárias em resposta a quaisquer restrições comerciais injustas, disse nesta quinta-feira o Ministério do Comércio, a respeito do recém-entrado em vigor Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) da UE.
Um porta-voz do ministério disse que a UE desconsiderou as conquistas da China em desenvolvimento verde ao impor valores-padrão significativamente elevados para a intensidade de carbono dos produtos chineses nas regras do CBAM, valores que estão previstos para aumentar anualmente nos próximos três anos, classificando as medidas como "injustas" e "discriminatórias".
"Isso é incompatível com as realidades atuais da China e com suas tendências futuras de desenvolvimento", disse o porta-voz, observando que as práticas da UE são suspeitas de violar os princípios da Organização Mundial do Comércio e contradizem o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, das Nações Unidas.
O CBAM, que entrou oficialmente em vigor na quinta-feira, é a medida da UE que impõe um preço do carbono às emissões incorporadas em determinados bens intensivos em carbono que entram no bloco e alinha o custo de carbono das importações ao enfrentado pelos produtores da UE no âmbito do Sistema de Comércio de Emissões da UE.
O porta-voz também expressou preocupação e firme oposição ao projeto de legislação da UE para expandir o escopo do CBAM a fim de incluir 180 produtos a jusante intensivos em aço e alumínio, como máquinas e automóveis, a partir de 2028, criticando que tais desenhos excedem o escopo da ação climática e apresentam sinais claros de unilateralismo e protecionismo.
Observando que a UE recentemente flexibilizou suas regulamentações verdes internas ao modificar a proibição de 2035 para novos veículos a combustível, o porta-voz disse que o bloco está praticando um "duplo padrão" ao afrouxar regras internas enquanto exerce protecionismo em nome do desenvolvimento verde.
A China espera que a UE cumpra as regras internacionais sobre clima e comércio, abandone o unilateralismo e o protecionismo, mantenha seu mercado aberto e promova a liberalização e a facilitação do comércio e do investimento, disse o porta-voz.
Embora a China esteja disposta a trabalhar com a UE para enfrentar os desafios globais das mudanças climáticas, adotará firmemente todas as medidas necessárias contra quaisquer restrições comerciais injustas para salvaguardar seus interesses de desenvolvimento, os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas e a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais, disse o porta-voz. Fim

