(Multimídia) Especial: Relações econômicas China-Brasil avançam com pegada mais verde-Xinhua

(Multimídia) Especial: Relações econômicas China-Brasil avançam com pegada mais verde

2025-12-30 18:08:30丨portuguese.xinhuanet.com
Foto tirada em 1º de julho de 2025 mostra a saída do primeiro veículo da fábrica brasileira da BYD em Camaçari, no estado da Bahia, Brasil. (Xinhua/Lúcio Tavora)

   Por Lyu Chengcheng, correspondente da Xinhua

   Beijing, 30 dez (Xinhua) -- Em 2025, as relações entre a China e o Brasil foram descritas como passando por um de seus melhores momentos históricos e a cooperação econômico-comercial manteve-se em patamar elevado, com projetos industriais avançando, comércio em nível geral estável e canais de financiamento mais diversificados.

   A transição verde ganhou destaque crescente na cooperação, abrangendo uma produção industrial mais limpa, maior ênfase ambiental no comércio e instrumentos financeiros associados a projetos sustentáveis e ao uso de moedas locais.

   INVESTIMENTO NA INDÚSTRIA SUSTENTÁVEL

   Em novembro, a BYD atingiu a marca de 10 mil carros produzidos em sua fábrica em Camaçari, no estado da Bahia, cerca de um mês e meio após o início das operações da montadora chinesa no Brasil. 

   Na cerimônia de inauguração em outubro, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a entrada da indústria chinesa de veículos elétricos contribui para reorientar o sistema industrial brasileiro em direção a uma matriz mais limpa e com maior conteúdo tecnológico.

   A reindustrialização é um dos eixos centrais do terceiro mandato de Lula, com foco na reconstrução da capacidade manufatureira, na ampliação do emprego e na redução da dependência de exportações primárias. Em documentos assinados ao longo do ano, China e Brasil apontaram o desenvolvimento sustentável e o investimento industrial entre as prioridades da cooperação bilateral.

   Segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), desde o início de 2025 as vendas de veículos de nova energia (NEV) de marcas chinesas no Brasil superaram 144 mil unidades, respondendo por mais de 58% do mercado. O bom desempenho do mercado passou a impulsionar novos investimentos em indústria limpa.

   Dados do Banco Central do Brasil mostram que, de janeiro a setembro de 2025, as entradas de investimento direto da China no Brasil, pela métrica de participação no capital, somaram aproximadamente US$ 461 milhões, cerca de 51% acima do registrado em todo o ano de 2024, com destaque em setores de novas energias e manufatura.

   Além da BYD, outros projetos avançaram. Em 2025, a Great Wall Motor iniciou as operações de sua primeira fábrica de veículos completos na América Latina, no estado de São Paulo, voltada à produção de modelos de nova energia e híbridos para o mercado sul-americano. Empresas chinesas também ampliaram investimentos em energia renovável e infraestrutura elétrica no Brasil e em segmentos básicos da manufatura associados a essas áreas.

   O embaixador do Brasil na China, Marcos Galvão, afirmou que o setor de novas energias e da transição verde, integrado à indústria, vem se consolidando rapidamente como mais um pilar da parceria bilateral. Segundo ele, empresas chinesas ampliaram investimentos no Brasil e parcerias na produção e aplicação de energias limpas, enquanto a matriz energética limpa, a abundância de recursos e a base mineral do país reforçam o papel do Brasil na cadeia global de valor da mobilidade elétrica e das energias renováveis.

   Ao longo de 2025, no campo dos investimentos, o capital chinês passou a injetar novo impulso verde no sistema industrial brasileiro, enquanto o mercado e a orientação das políticas públicas do Brasil ofereceram uma base para a expansão de empresas chinesas. Ancorada em interesses comuns, essa cooperação de industrialização verde consolidou-se como um dos vetores mais promissores do investimento China-Brasil.

   COMÉRCIO DIVERSIFICADO COM FOCO AMBIENTAL

   O gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Muller, avaliou que as perspectivas do comércio entre Brasil e China seguem positivas, com avanço no mercado chinês por meio de marcas próprias e de uma narrativa verde. "No futuro, a produção sustentável será ainda mais importante nessa parceria entre Brasil e China", disse ele.

   A soja permaneceu como a "âncora" do comércio agrícola entre China e Brasil. Como maior compradora mundial do grão, a China absorve, há anos, cerca de 60% das exportações brasileiras do produto. Para ampliar oportunidades em um mercado de grande escala e agregar valor, empresas brasileiras passaram a buscar maior presença de marca e uma relação mais direta com o mercado chinês.

   A Caramuru Alimentos, produtora e processadora de soja sediada em Goiás, afirmou que fortalecer o reconhecimento da marca na China tornou-se um objetivo concreto. O gerente de comércio exterior da empresa, Rodrigo Arruda, disse que, mais do que manter clientes, a meta é construir relações mais diretas e duradouras. "Queremos levar o nome da Caramuru para a China", afirmou à Xinhua.

   A pauta agrícola também se diversificou. Além da soja, produtos mais voltados ao consumo final, como café, sucos e carne bovina, ganharam espaço no mercado chinês. Em 2025, avanços em quarentena e acesso a mercado ampliaram a entrada de produtos brasileiros e o número de empresas habilitadas a exportar para a China.

   Para as exportadoras brasileiras, a sustentabilidade passou a ocupar posição central na estratégia comercial, disse Hugo Henrique Garcia, presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Grãos Especiais e Irrigantes do Mato Grosso (APROFIR-MT). Segundo ele, a demanda chinesa mantém potencial, e a narrativa ambiental contribui para fortalecer a confiança do consumidor. 

   Além da agricultura, a cooperação em recursos naturais também avançou em direção a práticas mais sustentáveis. A Vale, gigante brasileira da mineração, afirmou que pretende aprofundar a cooperação com parceiros chineses em mineração sustentável, incluindo testes de caminhões de mineração elétricos com a fabricante chinesa XCMG e a cooperação com a siderúrgica chinesa Hesteel Group (HBIS) em tecnologias de descarbonização.

   Segundo a Administração Geral das Alfândegas da China, o comércio bilateral entre janeiro e novembro de 2025 somou US$ 170,8 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Sob essa estabilidade, houve um ajuste de perfil: exportações brasileiras mais diversificadas, com maior ênfase ambiental, e vendas chinesas ao Brasil com maior presença de itens ligados à modernização industrial e a soluções de menor intensidade de carbono.

   FINANÇAS PARA TRANSIÇÃO DE BAIXO CARBONO

   "Empresas e negócios que possam contribuir com os objetivos da China em descarbonização e economia verde serão negócios que prosperarão na China", disse Pablo Machado, para Negócios e Estratégia na China da Suzano, principal produtora brasileira no setor de celulose e papel que registrou forte crescimento no mercado chinês em décadas.

   Em outubro de 2025, a Suzano concluiu, no mercado chinês, a segunda emissão de títulos denominados em renminbi (moeda chinesa), os chamados "Panda Bonds", estruturados como títulos verdes. Os recursos captados serão destinados à expansão e à gestão sustentável de florestas no Brasil. Com a operação, o volume total levantado nesse tipo de título alcançou 2,6 bilhões de yuans (US$ 360 milhões), após a primeira emissão realizada no ano anterior.

   Segundo Machado, os títulos em renminbi apresentam custos financeiros mais competitivos e tendem a apoiar de forma relevante os projetos sustentáveis da empresa voltados ao mercado chinês. Com a ampliação dessas vantagens, reportagens públicas em maio indicaram que o governo brasileiro também estuda a viabilidade de uma emissão soberana de Panda Bonds.

   Em paralelo, a cooperação financeira em renminbi avançou para iniciativas ligadas à infraestrutura elétrica limpa no Brasil. Em julho, o Novo Banco de Desenvolvimento assinou um memorando de entendimento com a State Grid Brazil Holding para apoiar, também em renminbi, o projeto de transmissão GATE em ultra-alta tensão, voltado à ampliação da capacidade de escoamento de energia renovável do nordeste brasileiro.

   Os dois países também avançaram em mecanismos de liquidação em moedas locais. Após testes e ajustes entre 2023 e 2025, as condições para a liquidação direta em renminbi e real foram aprimoradas. No primeiro trimestre de 2025, 41% das transações do comércio bilateral foram liquidadas em yuan, um recorde, segundo imprensas brasileiras.

   Além da liquidação em moedas locais, instituições financeiras dos dois países também lançaram iniciativas para projetos verdes. Em outubro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e o Exim Bank da China anunciaram a criação de um fundo de investimento China-Brasil de US$ 1 bilhão, direcionado à transição energética e à economia verde.

   A cooperação financeira passou a atuar como catalisador do investimento e do comércio bilaterais. Em 2025, China e Brasil avançaram, de forma gradual, no uso de moedas locais como alternativa ao dólar e na ampliação dos canais de financiamento, especialmente para projetos ligados à transição de baixo carbono. Fim

Foto tirada por drone mostra contêineres com suco congelado brasileiro sendo carregados em um trem da cadeia de frio no Porto de Yantian, em Shenzhen, Província de Guangdong, no sul da China, em 22 de janeiro de 2025. (Xinhua/Mao Siqian)

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